segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os velhos e os novos

Não há realmente qualquer interesse em tentar ensinar aos mais novos as lições que nós, mais velhos, aprendemos com os nossos erros. Seja em que idade for. Estamos sempre tão fechados nas nossas certezas, ou nas nossas incertezas – nós, os mais novos - que as descobertas dos outros de nada nos servem. Não porque não sejam incrivelmente úteis e clarividentes, mas porque temos a mania que os mais velhos estão errados. Que eles não viveram realmente as mesmas coisas que nós, que a nossa situação é sempre mais complexa que as deles foram. Ou porque os alertas deles são alarmistas e exagerados, e na verdade nada se passará como eles dizem.
Ohh, como isso não podia estar mais errado! Há decisões - e principalmente indecisões - que, com o passar dos anos, se revelam dolorosamente erros. Erros crassos, óbvios. E dão aos mais velhos o legítimo direito de nos acenarem com o indicador na cara e dizerem: “Eu bem te disse.”
Temos a mania que eles têm a mania. Que estão armados em grandes sábios da vida. A questão é que não estão armados. Eles SÃO grandes sábios da vida. Apenas porque já viveram mais. Sejam os nossos pais ou avós perante nós, sejamos nós perante os nossos filhos. Cada vivência, cada erro, cada conclusão, dá-nos a possibilidade de ensinar, ajudar a prevenir, ajudar a acontecer, junto de quem é mais novo.
Aquela fantástica frase que oiço tantas vezes, “Eu não me arrependo de nada.”, não podia ser mais mentira. Quem é que não se arrepende? Quem é que não faria coisas diferentes, se soubesse mais naquele preciso momento? Quem não teria tomado decisões mais cedo, em vez de deixar arrastar, porque achava que não era o momento certo, porque estava sentado à espera das condições certas?
Quem me dera saber quando era mais novo, aquilo que sei hoje. Essa é uma verdade incontornável. Mas também essa é uma verdade que poderia evitar-se, se de facto soubéssemos o que sabemos mais tarde. Porque infelizmente só com a idade percebemos que realmente há lições que podemos tirar sem para isso termos que bater com a cabeça no muro. É quando nos arrependemos de não ter ouvido as lições dos outros, que percebemos que realmente as podíamos – devíamos - ter ouvido. É também essa uma lição que se aprende tarde demais. E que infelizmente não conseguimos ensinar a quem ainda está a tempo de a aprender.
Costumo queixar-me que a vida não tem rascunho. Agora percebo que o rascunho das nossas vidas são as vidas dos outros. Dos mais velhos. É pena os rascunhos serem difíceis de ler, para quem olha para eles pela primeira vez. E suponho que esta é uma fatalidade da condição humana actual. Cercar-se de ego e reduzir-se à estúpida mania de pensar que os outros é que têm a mania. A juventude é realmente desperdiçada nos jovens. E insistimos em ser jovens até já ser tarde demais.
É assim que os mais jovens irão sempre fazer orelhas moucas. E os mais velhos irão experimentar sempre a frustração de tentar.

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